Seja bem-vindo ao mundo dos vinhos brasileiros, onde tradição e inovação se encontram em vales e serras do Sul do país. Nos últimos anos, os vinhos e espumantes produzidos aqui têm conquistado medalhas em competições internacionais, e o enoturismo virou um dos principais motivos de viagem para quem visita a região. Neste guia, reunimos as vinícolas e rotas mais relevantes da Serra Gaúcha, de Santa Catarina e do Paraná, com dados conferidos em fontes oficiais e especializadas.
Por que o Vale dos Vinhedos é considerado o coração do vinho brasileiro?
O Vale dos Vinhedos, entre Bento Gonçalves, Garibaldi e Monte Belo do Sul (RS), é considerado um dos dez principais destinos de enoturismo do mundo. A região produz cerca de 12 milhões de garrafas por ano e recebe aproximadamente 450 mil turistas anualmente. Foram os imigrantes italianos, chegados no final do século 19, que trouxeram a tradição vitivinícola que hoje sustenta a indústria do vinho no Brasil.
Casa Valduga — fundada em 1875, foi a primeira vinícola do país a apostar no enoturismo, e hoje reúne pousada, restaurante e um complexo completo de visitação às caves e vinhedos.
Vinícola Miolo — uma das maiores do Brasil, com tours e degustações que vão do básico ao premium, incluindo opções de pôr do sol na torre da vinícola.
Vinícola Salton — no distrito de Tuiuty, conhecida pela arquitetura e pelo tour na histórica Cave da Evolução, com espumantes regularmente premiados.
Casa Perini — em Farroupilha, a capital brasileira do Moscatel, com piquenique nos vinhedos e rótulos frequentemente reconhecidos em competições.
Cantina Strapazzon — vinícola familiar nos Caminhos de Pedra (Bento Gonçalves), cultivada pela família desde 1875. Recebe visitantes desde 1992 e foi cenário, em 1995, de cenas do filme “O Quatrilho” (indicado ao Oscar de Filme Estrangeiro em 1996), sendo a casa da personagem de Patrícia Pillar.
Vinícola Cainelli — em Tuiuty, celebra a imigração italiana e, na época da vindima, recria a colheita tradicional das uvas com participação dos visitantes.
Vinícola Dal Pizzol — aposta em sustentabilidade e tem um museu a céu aberto entre os vinhedos.
Tenuta Foppa & Ambrosi — fundada em Garibaldi por Lucas Foppa e Ricardo Ambrosi, que começaram a produzir vinho no porão de casa em 2017, aos 21 anos, após se conhecerem no Instituto Federal de Bento Gonçalves. Em 2021 tornou-se a primeira vinícola brasileira a produzir vinhos no Napa Valley (Calistoga, Califórnia) e, em janeiro de 2024, expandiu para Canelones, no Uruguai. Já teve 7 rótulos citados em listas do crítico James Suckling.
O que torna os vinhos dos Campos de Cima da Serra exclusivos?
Menos conhecida que o Vale dos Vinhedos, a região de Campos de Cima da Serra tem altitude elevada e clima mais frio, o que favorece vinhos e espumantes de perfil distinto. A Vinícola Campestre, em Vacaria, é a mais premiada da região: sua linha Zanotto conquistou o Prêmio Especial de Espumante Branco e o Prêmio Especial de Espumante Rosé no Challenge International du Vin, na França, além de medalhas de prata para o Zanotto Espumante Brut e o Zanotto Espumante Moscatel. A vinícola também investe em energia solar e práticas sustentáveis.
Como são os vinhos de altitude de Santa Catarina?
Santa Catarina, mais lembrada pelas praias, tem conquistado espaço no enoturismo nacional graças à Rota dos Vinhos de Altitude, em regiões entre 900 e 1.400 metros de altitude, onde o clima mais frio favorece a complexidade dos vinhos finos.
São Joaquim
A Serra Catarinense já conta com 16 vinícolas em São Joaquim, das quais 7 estão preparadas para receber visitantes. A pioneira é a Villa Francioni, a 1.260 metros de altitude, com 25 anos de história e cerca de 100 mil garrafas produzidas por ano — foi a primeira vinícola da região com estrutura profissional para visitação diária, oferecendo tours como o Taças nas Mãos, o Tour VIP e o Tour Pôr do Sol. Outras vinícolas de destaque na região são a Villaggio Bassetti, a Leone di Venezia (inspirada nas raízes itálo-venezianas) e a Monte Agudo, conhecida pelos encontros “Sábados de Vinho”.
Bom Retiro e Campo Belo do Sul
Vinícolas boutique como a Thera (focada em Chardonnay e Pinot Noir) e a Abreu Garcia têm ganhado reconhecimento nacional e internacional, com propostas que vão de piqueniques entre os vinhedos a almoços harmonizados.
Vales da Uva Goethe, em Urussanga
No sul do estado, a região de Urussanga e municípios vizinhos formam os Vales da Uva Goethe — único território do mundo onde essa uva híbrida (criada nos EUA em 1851 e batizada em homenagem ao escritor alemão Goethe) é cultivada comercialmente. As vinícolas ligadas à associação ProGoethe incluem a Vigna Mazon, tradicional vinícola familiar da família Debiasi (hoje também pousada e restaurante), e a Casa del Nonno, fundada em 1975 como Vitivinícola Urussanga e hoje na terceira geração da família — responsável pelo primeiro espumante brasileiro feito com uva Goethe.
Onde fazer enoturismo perto de Curitiba?
O Paraná é hoje o quarto maior produtor de vinhos do Brasil e vem investindo forte em enoturismo, com destaque para dois roteiros próximos à capital.
Caminho do Vinho, em São José dos Pinhais
A cerca de 16 km de Curitiba, o Caminho do Vinho reúne oito vinícolas coloniais no bairro Colônia Mergulhão, produzindo vinhos de uvas Bordô e Níagara: Adega Bortolan, Adega Laureanti, Cantina Della Mamma, Vinhos Don Gabriel, Vinhos do Italiano, Vinhos dos Irmãos Juliatto, Vinícola e Salumeria Politano e Vinhos Vô Vito. O roteiro também tem cafés coloniais, cervejarias premiadas e restaurantes de cozinha italiana e polonesa, e pode ser feito por conta própria ou em passeios guiados de ônibus turismo.
Cave Colinas de Pedra, em Piraquara
Uma das experiências mais originais do enoturismo brasileiro: um túnel ferroviário desativado, construído em 1885 e fora de uso desde 1969, hoje usado para o envelhecimento de espumantes pelo método Champenoise. Com 429 metros de extensão e temperatura constante entre 16°C e 17°C, o túnel funciona como uma adega natural — reconhecida pela UNESCO como o único local no mundo a abrigar uma cave natural desse tipo para maturar espumantes. A vinícola nasceu do sonho do fundador Ari Portugal, que adquiriu a área e a estação ferroviária abandonada em leilão no ano 2000.
Como planejar uma rota de vinhos no Sul do Brasil?
A colheita (vindima) acontece no verão do Hemisfério Sul, entre janeiro e março, e costuma ser a época mais movimentada nas vinícolas gaúchas e catarinenses, com eventos abertos ao público. A maioria das vinícolas menores exige agendamento prévio para tours e degustações — vale reservar com antecedência, principalmente em fins de semana e feriados. Nas regiões de altitude (São Joaquim e Campos de Cima da Serra), as noites são frias mesmo no verão: leve roupa de frio mesmo fora do inverno.
Seja na Serra Gaúcha, nas terras altas de Santa Catarina ou nos vales do Paraná, o Sul do Brasil reúne hoje uma das rotas de enoturismo mais completas da América do Sul — com vinhos premiados internacionalmente e experiências que vão muito além da degustação.
Perguntas frequentes sobre vinícolas no Sul do Brasil
Quantos turistas visitam o Vale dos Vinhedos por ano?
Cerca de 450 mil turistas visitam a região anualmente, que produz por volta de 12 milhões de garrafas de vinho e espumante por ano.
Quem trouxe a tradição do vinho para o Vale dos Vinhedos?
Foram os imigrantes italianos, chegados ao Rio Grande do Sul no final do século 19, que trouxeram as videiras e a tradição vitivinícola que hoje sustenta a indústria do vinho no Brasil.
Desde quando a Casa Valduga produz vinho no Vale dos Vinhedos?
A família Valduga está na região desde 1875, sendo uma das vinícolas mais tradicionais do Vale dos Vinhedos.
Quais cidades formam o Vale dos Vinhedos?
O Vale dos Vinhedos fica entre os municípios de Bento Gonçalves, Garibaldi e Monte Belo do Sul, no Rio Grande do Sul.
Vale a pena visitar vinícolas de mais de um estado na mesma viagem?
Sim. Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná têm rotas de enoturismo relativamente próximas, o que permite combinar o Vale dos Vinhedos com os vinhos de altitude catarinenses e o enoturismo perto de Curitiba em um mesmo roteiro.




